A viagem a Dahab não foi planeada ao pormenor, tínhamos apenas em mente dois objectivos: subir ao Monte Sinai e fazer snorkeling no mar vermelho! Acabou por revelar-se uma verdadeira estadia turística, com muito descanso e diversão à mistura.
A viagem não começou da melhor forma, visto que só para chegarmos ao nosso destino demorámos 14 horas, de autocarro. Não era suposto demorar tanto mas, como em todas as aventuras, os imprevistos acontecem: o nosso autocarro avariou no meio do nada! Mas tudo melhorou logo à chegada, fizemos o check in num hostel bem simpático, barato e onde pude tomar o melhor banho que consegui desde que cheguei ao Egipto. Pressão!!!
Estavam 35º graus de média e o mar azul e cristalino pedia para entrarmos na água e nadarmos com os peixinhos e apreciar os corais. Ao início tive algumas dificuldades em me habituar à máscara, e em respirar em vez de engolir água, mas depois de algumas tentativas e pirolitos lá apanhei o jeito. As imagens, as sensações estão coladas à minha mente e são indescritíveis! Um maravilhoso tom de azul e um silêncio que nos toma e apazigua ao mesmo tempo.
Nessa mesma noite fomos escalar o monte Sinai. Começámos a caminhada por volta da meia-noite e chegámos ao topo por volta das 5:30h, mesmo a tempo de assistir ao nascer do sol. A subida não foi fácil, e a meio pensei mesmo em desistir. Ao longo da caminhada existem 10 áreas de descanso e depois de um longo percurso de subidas íngremes e pedregulhos há que subir 700 degraus para finalmente terminar a jornada! Mas, com alguma força de vontade e constante incentivo do meu grupo lá cheguei ao topo, e o sentimento foi mesmo esse, no topo!
A vista é qualquer coisa de extraordinária! E o único aspecto que faz com que seja difícil que este lugar não nos toque a alma é o facto de estarmos rodeados de outras tantas centenas de pessoas que também fizeram a escalada e que procuram o melhor lugar para presenciar o nascer do sol.
O Monte Sinai tem uma altura de 2288 metros e é considerado um lugar sagrado por três religiões, cristã, judaica e islâmica. Acredita-se que foi aqui que Moisés terá recebido as Tábuas dos Mandamentos de Deus.
Ao longo do tempo foram construídos à volta do Monte vários locais de culto. Um deles é o Mosteiro de Santa Catarina, o qual visitei, e que que clama a localização da sarça ardente. A ligação da Bíblia com o Monte Sinai atraiu muitos peregrinos ao longo dos séculos e uma das mais famosas foi a Imperatriz Helena de Bizânico, no século IV. Segundo consta a Imperatriz pediu a construção de uma Igreja, a Capela da Sarça Ardente, no local onde ainda se encontra vivo um arbusto de Rubus Sanctus e que se acredita ser a sarça ardente original. Assim, no local estabeleceu-se uma comunidade monástica e para proteger a igreja e os monges dos ataques de beduínos o imperador Justino I mandou construir uma muralha à volta da Igreja, no ano 542, e ainda os edifícios que fazem hoje parte do Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina.
Segundo a tradição também o profeta Maomé terá visitado o Monte, sendo bem recebido pelos monges ortodoxos. De tal modo que lhes prometeu a sua protecção, tornando-se a partir daí uma orientação para todos os muçulmanos.
Mas, depois de subir...descer…sem comentários! Digamos que quando cheguei ao Hostel apaguei por completo, para não falar das dores que o meu corpo teimou em ter nos dias que se seguiram.
O resto da semana foi preenchido com os melhores milkshakes e com um roteiro turístico numa moto 4x4. Muita adrenalina e bonitas paisagens! Ah! E ainda com uma voltinha de camelo que me deixou nódoas negras no traseiro! Acho que da “experiência do camelo” já estou mais do que aviada!







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