sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Casamento ao Estilo Egípcio

Na quinta-feira, a caminho do Cairo para mais um fim-de-semana de aventura recebo o convite para ir a um casamento a ter lugar na mesma noite. Foi fazer o check in no hostel de sempre, 2.60€ e um sonoro welcome back, e dirigirmos-nos para o ponto de encontro.

Distribuídos por dois táxis mergulhámos no trânsito caótico do Cairo e depois de uma hora e meia de conversa, fome e sono chegámos ao destino. Estávamos num bairro pobre da cidade, onde não é comum ver turistas e por isso os nossos anfitriões eram super cuidadosos connosco. Enquanto caminhávamos na rua pediam-nos, a nós raparigas, para caminharmos sempre juntas e não nos afastarmos de modo algum.

Pelos vistos um dos modos de perceber o quão menos seguro um bairro pode ser no Cairo é pela quantidade de tuk-tuks. Eu acho que é apenas por serem pobres que eles usam mais este meio de transporte, mas os egípcios acham que por ser um bairro pobre pode também ser um bairro mais propício ao perigo, e não deixam de ter razão. A verdade é que havia uma comunidade de tuk-tuks a circular por lá.

Mas voltando ao casamento. Quando demos conta tínhamos chegado a uma tenda gigante montada no meio da rua, decorada com muitas luzes coloridas e candeeiros de papel ao estilo oriental (chinês para ser mais específica). Dentro da tenda só havia homens. Estavam sentados a beber e a conversar alegremente enquanto no palco ao centro da tenda uma banda alegrava a festa e bailarinas dançavam a dança do ventre (com muita pele à mostra – coisa inédita de se ver). Convidaram-nos a sentar, três raparigas no meio de tanto homem… e a festa começou. Segundo consta presenciamos um casamento tradicional egípcio, mas de famílias modestas. A meio do “casamento” explicaram-nos que se tratava da festa de noivado e não do casamento em si, isso seria numa outra festa, maior e onde a noiva usaria um vestido branco. Então aqui vai o que se seguiu:

- Os homens não paravam de olhar para nós e de nos dar as boas vindas, sempre muito sorridentes.

- A comida foi servida, e era fruta. Os nossos anfitriões descascavam as bananas à nossa frente e passavam-nas para as comermos. Também fizeram isso com as laranjas e outros frutos, inclusive tirar os caroços por nós. Daquela maneira que se alimenta um bebé. A cena tinha tanto de surreal como de divertida. E fazer o quê? Aceitar e comer, pois claro!

- E as mulheres onde estão? E os noivos? Dentro de casa, no prédio da frente. A festa durava até às seis da manhã, ainda mal tinha começado, explicaram-nos. Mas fizeram questão de nos mostrar! Lá fomos nós para dentro de casa. As atenções concentradas em nós, toda a gente a pedir fotos: as crianças, nós com as crianças, nós com os noivos, a família toda! E, obrigada, obrigada, obrigada e yes, yes, e sorrir entusiasticamente e muita cor e maquilhagem!








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