quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010

Não é muito meu hábito fazer resoluções de ano novo, relembrar o que foi feito e o que ficou por fazer. A introspecção vai-se fazendo ao longo do ano, em vários momentos. Mas este ano, por estar talvez afastada daquilo a que sempre estive habituada, ao que conheço, dos amigos, da família, cedo aos clichés. E, portanto um muito importante é uma retrospectiva de final de ano.

2010 foi um ano de muitas conquistas. Acima de tudo foi um ano cheio de trabalho, mas também cheio de partilha, de aprendizagens, e de grandes amizades.

2010 foi o ano em que me inscrevi para fazer um estágio internacional e foi o ano em que vim parar ao Egipto.

2010 é só mais um ano, é Passado. É também o meu "Presente" (um dos melhores que já recebi) e é o início de muitas mais aventuras e conquistas, o Futuro.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Trânsito

Já aqui tinha feito alguns apontamentos acerca do trânsito de Alexandria. Foram as minhas primeiras impressões. Agora, passados 2 meses as impressões continuam as mesmas com a atenuante ou agravante de que para mim é já natural atravessar a estrada. Os carros continuam a buzinar constantemente, sejam 11 da manhã ou 11 da noite. O frenesim entranhou-se em mim, e já não sei o que é o silêncio. Habituei-me ao som constante, às ruas nunca desertas. Seja noite ou dia.

sábado, 25 de dezembro de 2010

O Natal

Então é assim, o meu Natal começou numa casa, toda decorada, com direito a Árvore de Natal, e presentes! Cozinhei um arroz de galinha com caril que fez com que todos lambessem o prato (nada de modéstias, que isto no que toca à comidinha há que saber apreciar!). Para sobremesa também havia arroz doce e muitos doces do Brasil, Egipto, bolachas de Natal americanas e para beber um eggnog canadiano. Mas como estamos no Egipto e como por mais que uma pessoa planei o quer que seja já sabe que tem que contar com o mais inesperado. E claro numa ceia de Natal, um momento tão especial no ano, não poderia faltar uma boa dose de imprevisibilidade egipciana.

Portanto, pessoal todo animado, ainda só íamos no primeiro prato… Ai e tal, ala que se faz tarde temos de mudar esta comida toda de sítio. Vamos para outra casa porque aqui os vizinhos queixam-se que rapazes e raparigas a comemorar o Natal todos juntos como uma grande família, isso é que não! Ora isto parece muito simples, só uma mudançazinha, coisa pouca. Mas não foi, a quantidade de comida que tínhamos era algo que não lembra a muitos, tanto que não lembra que eu e a Rafaela fomos quem mais levou. À bela maneira portuguesa. Para além de termos cozinhado ainda nos foi entregue comida ao domicílio. Vinha da parte das professoras da escola. Agora é quando nos auto vangloriamos! Até um gigante bolo de chocolate nos deram! Bolo este que me custou muito a carregar durante uma hora enfiada num carro, a caminho da casa seguinte, 5 supostos minutos de viagem que se prolongaram devido a mais outros e tantos percalços.
Chegados finalmente à casa seguinte já a festa ia longa e a comida desaparecera, por isso tratei de atacar o bolo!

Com isto tudo ainda consegui arrecadar 5 belos presentes. Ora bem: a última novidade do Shrek 3D estreada em DVD pirata, uma caneca egípcia, o melhor chocolate made in Egypt, um anel (lindo!) e o melhor e mais útil de todos, um Super Gigante martelo insuflável. Ai meu rico São João espera por mim!











sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Mensagem Especial

Porque o Natal é das crianças fica aqui um grande beijo para o meu sobrinho e para a minha afilhada.

E ainda um beijinho muito especial e votos de um Feliz Natal para a Ema Bianca e para a Adriana! Obrigada pelas mensagens de carinho!

Espero que tenham muitos sonhos de criança concretizados no sapatinho :)







Cânticos de Natal

Há apenas algumas horas atrás fui a uma Igreja Católica chamada Sacre Cœur ouvir Cânticos de Natal. A Igreja era linda, o coro era constituído por homens, mulheres, adultos, jovens e crianças, dos 4 aos 40, as músicas lindíssimas, todos cantavam e batiam palmas, todos partilhavam. Senti-me muito bem, mais perto de casa.


Senti Fé! Fé nas pessoas, esperança…







FELIZ NATAL

Esteve frio em Alexandria, frio a sério, durou talvez 15 dias. Não está tempo para usar t-shirt, mas já não está frio, está sol. Não parece Natal. Não parecia há um mês atrás, não parecia na semana passada, não parecia ontem. Hoje continua a não parecer. Amanhã é véspera de Natal, não parece.

O Natal nunca foi a minha época predilecta, mas este ano assumiu uma maior importância. E, não o consigo sentir. Estou longe da família, dos amigos, e isso diz tudo. Amanhã vai haver ceia de Natal e troca de presentes entre todos os estagiários e faremos com que a distância não se sinta, espero.

Mas, continuo feliz aqui e a aproveitar o mais que posso e só quero portanto agradecer a todos o apoio e o carinho,

Um FELIZ NATAL para todos os que mais amo...

PS - Com neve e frio, e lareira acesa, e risos e choro de criança, que é como o Natal deve parecer!
PS 2 - Ahh, e com cheiro a filhós!




sábado, 18 de dezembro de 2010

Adiamento

'Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
(...)
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã... '

(Álvaro de Campos)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Lista de Natal

Ora bem, este Natal decidi escrever uma lista de presentes que gostava de receber:

- Um aquecedor, um para cada divisão da casa de preferência.

- Um chuveiro todo equipado, com pressão se faz favor para poder tomar um banho a sério, daqueles que não é preciso passar uma hora na casa de banho a tentar fazer render 3 fios de água.

-Um outro animal de estimação que não seja formigas. Ou pensando bem é melhor não, não me vá sair um ratinho outra vez...

Dissertação Matinal

Rafaela: Filipa olha, olha! Olha para as horas!

Filipa: O quê? 13:00h?!! Mas como?

Rafaela: Nem acredito…

Filipa: Deixámo-nos dormir, mas tanto?! Fogo…mas também estava a precisar de dormir

Rafaela: Mas nem acordámos…Estou a achar muito estranho…E ninguém nos ligou?

Filipa: Realmente, ninguém nos ligou. E a nossa colega de casa? Foi trabalhar, e não nos acordou?

Rafaela: Nem acredito que faltámos à escola.

Filipa: Podemos dizer amanhã que estávamos as duas com diarreia…

Rafaela: E estamos! Não é mentira!

Filipa: Pois como moramos juntas, de certeza que comemos alguma coisa estragada…

Rafaela: Pode ser que não nos descontem um dia de ordenado.

Filipa: Mas e a nossa colega? Será que ela foi mesmo trabalhar?

Rafaela: Vamos lá ver! Vamos lá perceber o que se passou!

Filipa: Ela está cá! Acorda!

Rafaela: Vê as horas primeiro!

Filipa: Que horas são? Deixa ver o teu telemóvel! 7:45h!!!??! Isto está certo?

Colega de casa desorientada, acordada por duas malucas: ?! O quê? Sim, está…

Filipa & Rafa: Vestir! Rápido! Rápido!

Casamento ao Estilo Egípcio

Na quinta-feira, a caminho do Cairo para mais um fim-de-semana de aventura recebo o convite para ir a um casamento a ter lugar na mesma noite. Foi fazer o check in no hostel de sempre, 2.60€ e um sonoro welcome back, e dirigirmos-nos para o ponto de encontro.

Distribuídos por dois táxis mergulhámos no trânsito caótico do Cairo e depois de uma hora e meia de conversa, fome e sono chegámos ao destino. Estávamos num bairro pobre da cidade, onde não é comum ver turistas e por isso os nossos anfitriões eram super cuidadosos connosco. Enquanto caminhávamos na rua pediam-nos, a nós raparigas, para caminharmos sempre juntas e não nos afastarmos de modo algum.

Pelos vistos um dos modos de perceber o quão menos seguro um bairro pode ser no Cairo é pela quantidade de tuk-tuks. Eu acho que é apenas por serem pobres que eles usam mais este meio de transporte, mas os egípcios acham que por ser um bairro pobre pode também ser um bairro mais propício ao perigo, e não deixam de ter razão. A verdade é que havia uma comunidade de tuk-tuks a circular por lá.

Mas voltando ao casamento. Quando demos conta tínhamos chegado a uma tenda gigante montada no meio da rua, decorada com muitas luzes coloridas e candeeiros de papel ao estilo oriental (chinês para ser mais específica). Dentro da tenda só havia homens. Estavam sentados a beber e a conversar alegremente enquanto no palco ao centro da tenda uma banda alegrava a festa e bailarinas dançavam a dança do ventre (com muita pele à mostra – coisa inédita de se ver). Convidaram-nos a sentar, três raparigas no meio de tanto homem… e a festa começou. Segundo consta presenciamos um casamento tradicional egípcio, mas de famílias modestas. A meio do “casamento” explicaram-nos que se tratava da festa de noivado e não do casamento em si, isso seria numa outra festa, maior e onde a noiva usaria um vestido branco. Então aqui vai o que se seguiu:

- Os homens não paravam de olhar para nós e de nos dar as boas vindas, sempre muito sorridentes.

- A comida foi servida, e era fruta. Os nossos anfitriões descascavam as bananas à nossa frente e passavam-nas para as comermos. Também fizeram isso com as laranjas e outros frutos, inclusive tirar os caroços por nós. Daquela maneira que se alimenta um bebé. A cena tinha tanto de surreal como de divertida. E fazer o quê? Aceitar e comer, pois claro!

- E as mulheres onde estão? E os noivos? Dentro de casa, no prédio da frente. A festa durava até às seis da manhã, ainda mal tinha começado, explicaram-nos. Mas fizeram questão de nos mostrar! Lá fomos nós para dentro de casa. As atenções concentradas em nós, toda a gente a pedir fotos: as crianças, nós com as crianças, nós com os noivos, a família toda! E, obrigada, obrigada, obrigada e yes, yes, e sorrir entusiasticamente e muita cor e maquilhagem!








De volta ao Deserto

No passado fim-de-semana fui até ao Deserto novamente, não no mesmo sítio. Noutro lugar, diferente. Não teve o mesmo encanto da primeira vez e também não dormi ao relento, mas teve os seus momentos bons.

No segundo dia apanhámos uma tempestade. Só chegámos a Alexandria às duas da manhã, um temporal desgraçado, a cidade alagada. Encontramos as janelas da nossa casa todas abertas pela força do vento e o chão todo molhado. E chovia na cozinha...

No dia seguinte era dia de trabalho, levantámo-nos cedo, como todos os dias e lá fomos nós. Nenhuma criança apareceu e mandaram-nos de volta para casa. Decretado dia de folga por causa da tempestade. Digamos que o que eles chamam de tempestade é um dia normal de Inverno em Portugal, com um pouco de chuva e vento. Bem um pouco de granizo também. Mas como não é suposto eles terem Inverno e o tempo está todo trocado a cidade sofre graves consequências, porque não tem as infraestruturas necessárias para suportar este tempo.

Assim, um dia de frio e chuva aqui é como um dia de neve aí. Não há escola. Pára tudo.

Estão 5 graus em Alexandria, era suposto não estarem menos de 14. Não era suposto ter de enfiar todas as roupas que tenho para compensar o facto de não ter trazido roupa de Inverno...E a gente aguenta!

E ainda há quem ache que o aquecimento global é história para crianças...

Doente

Já começou a arrefecer e a nossa casa tem buracos por todos os lados. As janelas não fecham por completo, pelo que há sempre corrente de ar. E como há sempre corrente de ar o meu nariz também está sempre a pingar. Ando constipada o tempo todo. Os miúdos também andam sempre doentes e espirram na minha cara. Ai que dor de garganta, ai que detesto estar doente, ai que só me queixo, ai que carente que estou…miminhos?! Ninguém? L

Alexandria Internacional

A toda a hora chegam novos estagiários a Alexandria e o grupo vai aumentando. Comigo vive a Rafaela e outra rapariga, Romena. Já está também representada no Egipto a Coreia do Sul, Polónia, Malásia, Brasil, Colômbia, Índia, Canadá, Alemanha, Rússia, E.U.A., Holanda, Tanzânia, Singapura.

Adicta

Já comprei 9 lenços desde que estou no Egipto. Tornou-se um vício. Na semana passada perdi o meu favorito, 50% seda, 50% caxemira. Parece que há coisas que não é suposto saírem daqui. 

What happens in Egypt stays in Egypt!

Dahab

A viagem a Dahab não foi planeada ao pormenor, tínhamos apenas em mente dois objectivos: subir ao Monte Sinai e fazer snorkeling no mar vermelho! Acabou por revelar-se uma verdadeira estadia turística, com muito descanso e diversão à mistura.

A viagem não começou da melhor forma, visto que só para chegarmos ao nosso destino demorámos 14 horas, de autocarro. Não era suposto demorar tanto mas, como em todas as aventuras, os imprevistos acontecem: o nosso autocarro avariou no meio do nada! Mas tudo melhorou logo à chegada, fizemos o check in num hostel bem simpático, barato e onde pude tomar o melhor banho que consegui desde que cheguei ao Egipto. Pressão!!!

Estavam 35º graus de média e o mar azul e cristalino pedia para entrarmos na água e nadarmos com os peixinhos e apreciar os corais. Ao início tive algumas dificuldades em me habituar à máscara, e em respirar em vez de engolir água, mas depois de algumas tentativas e pirolitos lá apanhei o jeito. As imagens, as sensações estão coladas à minha mente e são indescritíveis! Um maravilhoso tom de azul e um silêncio que nos toma e apazigua ao mesmo tempo.

Nessa mesma noite fomos escalar o monte Sinai. Começámos a caminhada por volta da meia-noite e chegámos ao topo por volta das 5:30h, mesmo a tempo de assistir ao nascer do sol. A subida não foi fácil, e a meio pensei mesmo em desistir. Ao longo da caminhada existem 10 áreas de descanso e depois de um longo percurso de subidas íngremes e pedregulhos há que subir 700 degraus para finalmente terminar a jornada! Mas, com alguma força de vontade e constante incentivo do meu grupo lá cheguei ao topo, e o sentimento foi mesmo esse, no topo!

A vista é qualquer coisa de extraordinária! E o único aspecto que faz com que seja difícil que este lugar não nos toque a alma é o facto de estarmos rodeados de outras tantas centenas de pessoas que também fizeram a escalada e que procuram o melhor lugar para presenciar o nascer do sol.  

O Monte Sinai tem uma altura de 2288 metros e é considerado um lugar sagrado por três religiões, cristã, judaica e islâmica. Acredita-se que foi aqui que Moisés terá recebido as Tábuas dos Mandamentos de Deus. 

Ao longo do tempo foram construídos à volta do Monte vários locais de culto. Um deles é o Mosteiro de Santa Catarina, o qual visitei, e que que clama a localização da sarça ardente. A ligação da Bíblia com o Monte Sinai atraiu muitos peregrinos ao longo dos séculos e uma das mais famosas foi a Imperatriz Helena de Bizânico, no século IV. Segundo consta a Imperatriz pediu a construção de uma Igreja, a Capela da Sarça Ardente, no local onde ainda se encontra vivo um arbusto de Rubus Sanctus e que se acredita ser a sarça ardente original. Assim, no local estabeleceu-se uma comunidade monástica e para proteger a igreja e os monges dos ataques de beduínos o imperador Justino I mandou construir uma muralha à volta da Igreja, no ano 542, e ainda os edifícios que fazem hoje parte do Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina.

Segundo a tradição também o profeta Maomé terá visitado o Monte, sendo bem recebido pelos monges ortodoxos. De tal modo que lhes prometeu a sua protecção, tornando-se a partir daí uma orientação para todos os muçulmanos.

Mas, depois de subir...descer…sem comentários! Digamos que quando cheguei ao Hostel apaguei por completo, para não falar das dores que o meu corpo teimou em ter nos dias que se seguiram.

O resto da semana foi preenchido com os melhores milkshakes e com um roteiro turístico numa moto 4x4. Muita adrenalina e bonitas paisagens! Ah! E ainda com uma voltinha de camelo que me deixou nódoas negras no traseiro! Acho que da “experiência do camelo” já estou mais do que aviada!









sábado, 13 de novembro de 2010

Festa é Festa!

Durante a próxima semana os egípcios estão em festa porque se comemora o Eid al-Adha, um feriado islâmico em que se celebra o facto de Abraão estar disposto a sacrificar o seu filho Ismael, como acto de fé e obediência a Deus. Mas antes que Abraão sacrificasse o filho Deus interveio e pediu para que Abraão sacrificasse um carneiro em lugar do seu filho. De maneira que segundo a tradição, por esta altura se matam carneiros e se fazem grandes banquetes. Pelos vistos as famílias mais abastadas distribuem parte do seu sacrifício aos amigos, vizinhos e também aos pobres e necessitados.
As ruas estão enfeitadas com muitas luzes coloridas, quase a lembrar o Natal e volta e meia vêem-se rebanhos no meio da estrada. São os preparativos para a festa. As comemorações duram 4 dias, a começar a partir de segunda-feira.

Segunda-feira é também quando começam as minhas férias, que passarão por subir ao Monte Sinai e passar lá a noite para assistir ao nascer-do-sol. E, experimentar snorkeling no mar vermelho.


Optimo Cafe

No dia em que descobri que tinha um rato em casa, que me fez fugir porta fora sem ter tempo de almoçar, decidi que merecia uma refeição decente e refugiei-me no Optimo Café, um restaurante muito bem frequentado cá do bairro.
Enquanto me deliciava com a minha refeição reparei nas palavras gravadas numa das paredes do restaurante. As palavras que li assentam na perfeição na experiência que estou a viver:

“Throughout the journey of life, you get to meet a lot of people, some you will wish you never met, some will be of useful presence at their times and the rest you will wish your life was triple its length to have more time to spend with them.
Yet you will get to have a lot of dreams to fulfill, some you will succeed to make come true, some you will fail to achieve, some you will forget throughout this journey. But your greatest achievements are the ones you never thought you can even dream of…
So enjoy your life to the maximum so that one day you will look back and have a great smile on your face”.

(In)dependência

Já ando de táxi sozinha e vou sozinha ao mercado que existe no meu bairro, para comprar pão fresco, fruta e legumes. Vou sozinha e volto sozinha mas perco-me sempre, dou voltas e voltas para encontrar o caminho de volta, mas com o tempo isto vai ao sítio.
Aponto para a fruta e pergunto o que é, oiço uma resposta em árabe, claro está, ao mesmo tempo que o homenzinho tenta explicar por gestos que a dita fruta não serve para comer, é para fazer sumo, e é garantido que depois vamos à casa-de-banho descarregar. Depois de visualizar o vendedor em momento tão intimo, saí-me com um “Ohh...Nice!”.

Acabei por me ficar pelas maçãs, bananas e manga.

Starbucks

Existe em Alexandria um Starbucks com vista para o mar e com um terraço enorme com sofás muito confortáveis. O sítio é lindo e fazemos do Starbucks quase sempre o ponto de encontro entre os estagiários.
Até agora nunca consumi no Starbucks. É ver-me a tirar sorrateiramente comida ou bebida da mala. É que as bebidas são ridiculamente caras para os padrões egípcios, ou pelo menos para a minha carteira tenho a certeza que são. Não se pode cometer extravagâncias, é a crise!

Mudanças na casa

Os meus colegas de casa, com muita pena minha, decidiram mudar o rumo da sua estadia aqui no Egipto, e deixaram Alexandria. De maneira que agora fiquei sozinha na casa e tratei logo de fazer algumas mudanças. Comecei por umas limpezas gerais, lavei um monte de roupa e como não estava satisfeita também estraguei quase toda a minha roupa na lavagem. Digamos que agora sou portadora de uma série de camisas e camisolas em tons de cor-de-rosa não uniforme, às manchinhas, que é para ser mais bonito ainda.
Depois de uns breves momentos de depressão por ter arruinado a minha roupa mudei-me de quarto. Agora estou no quarto grande da casa, muito mais confortável e aconchegante. Adoro!
Cada vez gosto mais desta casa, o único problema continuam a ser as formigas e não gosto da sala (inutilizável). Também demoro algum tempo a conseguir tomar banho, porque o chuveiro não tem muita pressão.
A grande novidade é que não vou ficar sozinha por muito mais tempo. A Rafaela chega no dia 19. Vem para cá trabalhar para a mesma escola! Estou muito entusiasmada com a ideia. Em princípio vai dividir o quarto comigo e vamos receber mais uma estagiária no outro quarto. Assim as despesas da casa tornam-se menos custosas.














Deserto

No fim-de-semana passado fui ao Deserto Preto e ao Deserto Branco. Um lugar mágico não só pela sua beleza mas também pelas pessoas com quem partilhei esta experiência. Foi sem dúvida um momento inspirador. Foi deitar-me na areia, olhar para o céu e sentir-me feliz. Pequenina num mundo tão grande, com tanta coisa para ver e fazer, mas feliz pela minha singela existência. E não encontro mais palavras para descrever o céu estrelado que encontrei a não ser: único.