'Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
(...)
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã... '
(Álvaro de Campos)
sábado, 18 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Lista de Natal
Ora bem, este Natal decidi escrever uma lista de presentes que gostava de receber:
- Um aquecedor, um para cada divisão da casa de preferência.
- Um chuveiro todo equipado, com pressão se faz favor para poder tomar um banho a sério, daqueles que não é preciso passar uma hora na casa de banho a tentar fazer render 3 fios de água.
-Um outro animal de estimação que não seja formigas. Ou pensando bem é melhor não, não me vá sair um ratinho outra vez...
- Um aquecedor, um para cada divisão da casa de preferência.
- Um chuveiro todo equipado, com pressão se faz favor para poder tomar um banho a sério, daqueles que não é preciso passar uma hora na casa de banho a tentar fazer render 3 fios de água.
-Um outro animal de estimação que não seja formigas. Ou pensando bem é melhor não, não me vá sair um ratinho outra vez...
Dissertação Matinal
Rafaela: Filipa olha, olha! Olha para as horas!
Filipa: O quê? 13:00h?!! Mas como?
Rafaela: Nem acredito…
Filipa: Deixámo-nos dormir, mas tanto?! Fogo…mas também estava a precisar de dormir
Rafaela: Mas nem acordámos…Estou a achar muito estranho…E ninguém nos ligou?
Filipa: Realmente, ninguém nos ligou. E a nossa colega de casa? Foi trabalhar, e não nos acordou?
Rafaela: Nem acredito que faltámos à escola.
Filipa: Podemos dizer amanhã que estávamos as duas com diarreia…
Rafaela: E estamos! Não é mentira!
Filipa: Pois como moramos juntas, de certeza que comemos alguma coisa estragada…
Rafaela: Pode ser que não nos descontem um dia de ordenado.
Filipa: Mas e a nossa colega? Será que ela foi mesmo trabalhar?
Rafaela: Vamos lá ver! Vamos lá perceber o que se passou!
Filipa: Ela está cá! Acorda!
Rafaela: Vê as horas primeiro!
Filipa: Que horas são? Deixa ver o teu telemóvel! 7:45h!!!??! Isto está certo?
Colega de casa desorientada, acordada por duas malucas: ?! O quê? Sim, está…
Filipa & Rafa: Vestir! Rápido! Rápido!
Casamento ao Estilo Egípcio
Na quinta-feira, a caminho do Cairo para mais um fim-de-semana de aventura recebo o convite para ir a um casamento a ter lugar na mesma noite. Foi fazer o check in no hostel de sempre, 2.60€ e um sonoro welcome back, e dirigirmos-nos para o ponto de encontro.
Distribuídos por dois táxis mergulhámos no trânsito caótico do Cairo e depois de uma hora e meia de conversa, fome e sono chegámos ao destino. Estávamos num bairro pobre da cidade, onde não é comum ver turistas e por isso os nossos anfitriões eram super cuidadosos connosco. Enquanto caminhávamos na rua pediam-nos, a nós raparigas, para caminharmos sempre juntas e não nos afastarmos de modo algum.
Pelos vistos um dos modos de perceber o quão menos seguro um bairro pode ser no Cairo é pela quantidade de tuk-tuks. Eu acho que é apenas por serem pobres que eles usam mais este meio de transporte, mas os egípcios acham que por ser um bairro pobre pode também ser um bairro mais propício ao perigo, e não deixam de ter razão. A verdade é que havia uma comunidade de tuk-tuks a circular por lá.
Pelos vistos um dos modos de perceber o quão menos seguro um bairro pode ser no Cairo é pela quantidade de tuk-tuks. Eu acho que é apenas por serem pobres que eles usam mais este meio de transporte, mas os egípcios acham que por ser um bairro pobre pode também ser um bairro mais propício ao perigo, e não deixam de ter razão. A verdade é que havia uma comunidade de tuk-tuks a circular por lá.
Mas voltando ao casamento. Quando demos conta tínhamos chegado a uma tenda gigante montada no meio da rua, decorada com muitas luzes coloridas e candeeiros de papel ao estilo oriental (chinês para ser mais específica). Dentro da tenda só havia homens. Estavam sentados a beber e a conversar alegremente enquanto no palco ao centro da tenda uma banda alegrava a festa e bailarinas dançavam a dança do ventre (com muita pele à mostra – coisa inédita de se ver). Convidaram-nos a sentar, três raparigas no meio de tanto homem… e a festa começou. Segundo consta presenciamos um casamento tradicional egípcio, mas de famílias modestas. A meio do “casamento” explicaram-nos que se tratava da festa de noivado e não do casamento em si, isso seria numa outra festa, maior e onde a noiva usaria um vestido branco. Então aqui vai o que se seguiu:
- Os homens não paravam de olhar para nós e de nos dar as boas vindas, sempre muito sorridentes.
- A comida foi servida, e era fruta. Os nossos anfitriões descascavam as bananas à nossa frente e passavam-nas para as comermos. Também fizeram isso com as laranjas e outros frutos, inclusive tirar os caroços por nós. Daquela maneira que se alimenta um bebé. A cena tinha tanto de surreal como de divertida. E fazer o quê? Aceitar e comer, pois claro!
- E as mulheres onde estão? E os noivos? Dentro de casa, no prédio da frente. A festa durava até às seis da manhã, ainda mal tinha começado, explicaram-nos. Mas fizeram questão de nos mostrar! Lá fomos nós para dentro de casa. As atenções concentradas em nós, toda a gente a pedir fotos: as crianças, nós com as crianças, nós com os noivos, a família toda! E, obrigada, obrigada, obrigada e yes, yes, e sorrir entusiasticamente e muita cor e maquilhagem!
De volta ao Deserto
No passado fim-de-semana fui até ao Deserto novamente, não no mesmo sítio. Noutro lugar, diferente. Não teve o mesmo encanto da primeira vez e também não dormi ao relento, mas teve os seus momentos bons.
No segundo dia apanhámos uma tempestade. Só chegámos a Alexandria às duas da manhã, um temporal desgraçado, a cidade alagada. Encontramos as janelas da nossa casa todas abertas pela força do vento e o chão todo molhado. E chovia na cozinha...
No dia seguinte era dia de trabalho, levantámo-nos cedo, como todos os dias e lá fomos nós. Nenhuma criança apareceu e mandaram-nos de volta para casa. Decretado dia de folga por causa da tempestade. Digamos que o que eles chamam de tempestade é um dia normal de Inverno em Portugal, com um pouco de chuva e vento. Bem um pouco de granizo também. Mas como não é suposto eles terem Inverno e o tempo está todo trocado a cidade sofre graves consequências, porque não tem as infraestruturas necessárias para suportar este tempo.
Assim, um dia de frio e chuva aqui é como um dia de neve aí. Não há escola. Pára tudo.
Estão 5 graus em Alexandria, era suposto não estarem menos de 14. Não era suposto ter de enfiar todas as roupas que tenho para compensar o facto de não ter trazido roupa de Inverno...E a gente aguenta!
E ainda há quem ache que o aquecimento global é história para crianças...
Doente
Já começou a arrefecer e a nossa casa tem buracos por todos os lados. As janelas não fecham por completo, pelo que há sempre corrente de ar. E como há sempre corrente de ar o meu nariz também está sempre a pingar. Ando constipada o tempo todo. Os miúdos também andam sempre doentes e espirram na minha cara. Ai que dor de garganta, ai que detesto estar doente, ai que só me queixo, ai que carente que estou…miminhos?! Ninguém? L
Alexandria Internacional
A toda a hora chegam novos estagiários a Alexandria e o grupo vai aumentando. Comigo vive a Rafaela e outra rapariga, Romena. Já está também representada no Egipto a Coreia do Sul, Polónia, Malásia, Brasil, Colômbia, Índia, Canadá, Alemanha, Rússia, E.U.A., Holanda, Tanzânia, Singapura.
Adicta
Já comprei 9 lenços desde que estou no Egipto. Tornou-se um vício. Na semana passada perdi o meu favorito, 50% seda, 50% caxemira. Parece que há coisas que não é suposto saírem daqui.
What happens in Egypt stays in Egypt!
Dahab
A viagem a Dahab não foi planeada ao pormenor, tínhamos apenas em mente dois objectivos: subir ao Monte Sinai e fazer snorkeling no mar vermelho! Acabou por revelar-se uma verdadeira estadia turística, com muito descanso e diversão à mistura.
A viagem não começou da melhor forma, visto que só para chegarmos ao nosso destino demorámos 14 horas, de autocarro. Não era suposto demorar tanto mas, como em todas as aventuras, os imprevistos acontecem: o nosso autocarro avariou no meio do nada! Mas tudo melhorou logo à chegada, fizemos o check in num hostel bem simpático, barato e onde pude tomar o melhor banho que consegui desde que cheguei ao Egipto. Pressão!!!
Estavam 35º graus de média e o mar azul e cristalino pedia para entrarmos na água e nadarmos com os peixinhos e apreciar os corais. Ao início tive algumas dificuldades em me habituar à máscara, e em respirar em vez de engolir água, mas depois de algumas tentativas e pirolitos lá apanhei o jeito. As imagens, as sensações estão coladas à minha mente e são indescritíveis! Um maravilhoso tom de azul e um silêncio que nos toma e apazigua ao mesmo tempo.
Nessa mesma noite fomos escalar o monte Sinai. Começámos a caminhada por volta da meia-noite e chegámos ao topo por volta das 5:30h, mesmo a tempo de assistir ao nascer do sol. A subida não foi fácil, e a meio pensei mesmo em desistir. Ao longo da caminhada existem 10 áreas de descanso e depois de um longo percurso de subidas íngremes e pedregulhos há que subir 700 degraus para finalmente terminar a jornada! Mas, com alguma força de vontade e constante incentivo do meu grupo lá cheguei ao topo, e o sentimento foi mesmo esse, no topo!
A vista é qualquer coisa de extraordinária! E o único aspecto que faz com que seja difícil que este lugar não nos toque a alma é o facto de estarmos rodeados de outras tantas centenas de pessoas que também fizeram a escalada e que procuram o melhor lugar para presenciar o nascer do sol.
O Monte Sinai tem uma altura de 2288 metros e é considerado um lugar sagrado por três religiões, cristã, judaica e islâmica. Acredita-se que foi aqui que Moisés terá recebido as Tábuas dos Mandamentos de Deus.
Ao longo do tempo foram construídos à volta do Monte vários locais de culto. Um deles é o Mosteiro de Santa Catarina, o qual visitei, e que que clama a localização da sarça ardente. A ligação da Bíblia com o Monte Sinai atraiu muitos peregrinos ao longo dos séculos e uma das mais famosas foi a Imperatriz Helena de Bizânico, no século IV. Segundo consta a Imperatriz pediu a construção de uma Igreja, a Capela da Sarça Ardente, no local onde ainda se encontra vivo um arbusto de Rubus Sanctus e que se acredita ser a sarça ardente original. Assim, no local estabeleceu-se uma comunidade monástica e para proteger a igreja e os monges dos ataques de beduínos o imperador Justino I mandou construir uma muralha à volta da Igreja, no ano 542, e ainda os edifícios que fazem hoje parte do Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina.
Segundo a tradição também o profeta Maomé terá visitado o Monte, sendo bem recebido pelos monges ortodoxos. De tal modo que lhes prometeu a sua protecção, tornando-se a partir daí uma orientação para todos os muçulmanos.
Mas, depois de subir...descer…sem comentários! Digamos que quando cheguei ao Hostel apaguei por completo, para não falar das dores que o meu corpo teimou em ter nos dias que se seguiram.
O resto da semana foi preenchido com os melhores milkshakes e com um roteiro turístico numa moto 4x4. Muita adrenalina e bonitas paisagens! Ah! E ainda com uma voltinha de camelo que me deixou nódoas negras no traseiro! Acho que da “experiência do camelo” já estou mais do que aviada!
terça-feira, 16 de novembro de 2010
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