sábado, 23 de outubro de 2010

A Chegada

O voo até ao Cairo correu bem, o aeroporto era agradável e o tempo de espera pelo voo até Alexandria passou rápido. A chegada ao aeroporto de Alexandria foi um pouco assustadora, mas até que me mantive firme (com isto quero dizer que não entrei em pânico, nem desatei a chorar). O aeroporto é pequeno, confuso, com um aspecto velho e sujo e toda a gente falava árabe. Eu não percebia nada (óbvio), mas depois lá consegui descobrir onde é que era suposto levantar a minha mala. Um rapaz veio ter comigo para me carregar as malas. Eu a querer recusar e ele a insistir (tinha acabado de ler no guia que aqui eles cobram por todos os serviços, tipo gorgeta, e eu ainda não tinha trocado dinheiro). Dei-lhe uma moeda de 2 euros e ele não ficou nada contente. 

Entretanto olhava para todo o lado à procura de alguém que tivesse um papel com o meu nome ou algo do género. Começava a ficar preocupada quando mesmo à saída um rapaz chamou pelo nome. Que alívio! Vinha com mais 4 amigos, todos membros da AIESEC. Vieram buscar-me de carro e são todos muito simpáticos e prestáveis.  Podemos contactá-los a qualquer altura e levam-nos onde for preciso (nós os estagiários).

É tudo tão diferente aqui, e está muito calor, mas uso camisas de manga comprida e é suportável. Pode usar-se t-shirts na escola, mas nada de ombros à mostra. O trânsito é caótico e eu tento não morrer de cada vez que tenho de atravessar a estrada (a sério, é assustador!) há muita poluição (sonora incluída), mas já me disseram que não é nada comparado com o Cairo.
Também há muito lixo nas ruas e muitas habitações em construção, pelo que as ruas estão cheias de entulho.

Os membros da AIESEC levaram-me directamente para a casa onde estou a morar. Tinha um bilhete à minha espera dos estagiários com quem divido a casa (eles estavam a dormir quando cheguei). São espanhóis, um rapaz e uma rapariga, e são muito simpáticos e prestáveis. Até me lavaram lençóis para poder dormir na noite em que cheguei.
A casa não é uma maravilha, mas tendo em conta todas as variáveis não está má. Acho que me habituo. 
Tenho-me surpreendido a mim mesma, porque a casa está infestada de formigas e não me armei em nojentinha como é hábito. Nem um arrepio senti quando vi algumas formigas a passear na minha roupa. Tento pensar que as formigas não fazem mal a ninguém e sacudo sempre a roupa antes de a vestir. 
A primeira noite foi um pouco difícil, estava muito cansada mas não conseguia adormecer, mas ontem fechei os olhinhos e só acordei com o raiar do sol.

Os meus colegas de casa têm estado sempre comigo (também trabalham na escola), e parece-me quase impossível que me consiga movimentar por aqui sem a ajuda deles.


No Domingo comecei logo a trabalhar (aqui o fim-de-semana é sexta e sábado, mas pelos vistos à quinta-feira à noite é uma festa!). O horário de trabalho é das 8:30 (mas apanho um bus grátis para a escola às 7h) às 13:30h. Até agora tenho gostado, mas o ensino aqui é um pouco diferente e acho que os miúdos não brincam o suficiente, têm 3 anos e fazem o que os miúdos de 5/6 fazem aí na escola. Ficam sentadinhos nas mesas o tempo todo (quase), como na escola primária, por exemplo. A escola tem muito boas condições (quadros interactivos, computadores novos).

Ontem os membros da AIESEC levaram todos os estagiários até um bar para nos conhecermos melhor, o grupo é muito animado e são todos muitos simpáticos e a noite foi muito divertida! Então, conheci um canadiano, os espanhóis que moram comigo, uma romena, uma colombiana, uma ucraniana, uma americana e os egípcios da AIESEC.

Hoje um membro da AIESEC levou-me a fazer um reconhecimento. Andou a passear comigo pelas ruas principais, supermercado perto de casa e outras coisas. Também me ensinou como funciona o comboio (o transporte público que serve a cidade para além dos taxis) mas eu acho que ainda não consigo andar naquilo sozinha.

Até agora o que me tem marcado mais são mesmo as pessoas, fico sempre fascinada com as capacidades e conhecimentos que outras pessoas têm, é esta troca de experiências que vale realmente a pena.

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