As primeiras impressões do Cairo ficam registadas em imagens. Não só porque as imagens valem mais que mil palavras (blá bla blá) mas porque ainda estou a assimilar a informação, e também porque estou um pouco preguiçosa no que toca à escrita, vá...
domingo, 31 de outubro de 2010
Gastronomia
Logo a seguir à pergunta "Estás bem?" vem "Tens comido? Como é a comida?". Pois bem, tenho-me alimentado principalmente das demais lojas ou restaurantes que existem ao virar de cada esquina, já que cozinhar em casa requer alguma criatividade e também porque às vezes a paciência é pouca. Tenho provado de tudo, e até agora não houve nada que não conseguisse comer, à excepção de alguns molhos extra que se podem comprar para colocar nas "sandes" de falafel, e dos quais não sou muito fã.
Como muito pão aqui, tudo se põe no pão! E, como almoço na escola, levo sempre sandes de casa. Espero em breve colmatar esta situação com a prática de exercício físico. A dita dança do ventre!
Até agora o meu prato egípcio preferido é o koshary. É uma mistura de arroz, lentilhas, grão, massa e cebola frita, temperada com alho, vinagre e molho de tomate picante!
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Como apanhar um rato
Material: cartão, cola, queijo, tomate
Procedimento: Pegue no pedaço de cartão e coloque-o no chão. Espalhe a cola no cartão e no fim enfeite com pedaços de queijo e tomate. Apague as luzes de casa, feche as janelas, de modo a que a temperatura de casa ronde os 20º centígrados e saia de casa. Aguarde 3 horas, abra a porta de casa e retire o rato! De seguida, envolva o mesmo num saco de plástico e está pronto a servir aos gatos da vizinhança. Deixe arrefecer junto ao caixote do lixo mais próximo.
domingo, 24 de outubro de 2010
Começa a ser difícil!
Afinal há mais um morador na casa. Vi um nojento de um rato.
O primeiro instinto foi gritar, o segundo foi subir para uma cadeira, o terceiro foi agarrar na minha bolsa e fugir porta fora.
O primeiro instinto foi gritar, o segundo foi subir para uma cadeira, o terceiro foi agarrar na minha bolsa e fugir porta fora.
sábado, 23 de outubro de 2010
Sábado, 23 de Outubro de 2010
Ontem o fim-de-semana não começou da melhor forma, tínhamos planeado ir até uma praia, relaxar um pouco. Mas ir a uma praia aqui não é tarefa fácil. De modo a que consigamos usar biquíni temos de ir até uma praia privada, que é o mesmo que dizer pagar para poder entrar. E lá fomos. Qual não foi o nosso espanto encontrar na praia, supostamente privada, todos os locais, nada de turistas. As mulheres na água totalmente vestidas dos pés à cabeça e homens aos pontapés, sentados lá a mirar. Tivemos mesmo de desistir da praia e infiltramo-nos num hotel para tentar usar a piscina, sem sucesso. O máximo que conseguimos foi ficar no jardim do hotel a aproveitar os últimos raios de sol.
O serão foi passado em casa do estagiário canadiano, a jogar Risco.
Hoje vamos tentar uma outra praia. Fica a sensivelmente 20 km de Alexandria e chama-se Paradise. Upa upa!
É normal
Os padrões europeus não servem de muito no Egipto, principalmente no que toca à condução. Todos os dias quando saio à rua tenho de esquecer as regras e a lei da estrada a que estava habituada e pensar que aqui é normal fazer inversão de marcha na rua mais movimentada, galgando a faixa de separação das vias; é normal não haver semáforos e nos cruzamentos impera a lei do mais forte. É normal as rotundas serem feitas pelo lado que der mais jeito, é normal não haver passadeiras, é normal as pessoas conduzirem enquanto falam ao telemóvel e comem um gelado, tudo ao mesmo tempo. E assim, em Alexandria, o meu meio de transporte é por norma um táxi ou carro particular (quando alguém nos dá boleia). Às vezes vamos 8 num carro, não se usa cinto, houve-se hip-hop. É normal.
Crise? Nem por isso…
Por aqui as preocupações com o desemprego e a crise económica parecem não ser as mesmas. Em conversa com uma rapariga egípcia de 23 anos que trabalha na escola:
Ela: Ai, começo a ficar cansada de trabalhar aqui, já não suporto as crianças…
Eu: Há quanto tempo cá estás?
Ela: Quase um ano.
Eu: Ah…
Ela: Vou-me embora da escola em breve, já estou muito aborrecida disto.
Eu: Humm, e já tens planos? Que vais fazer?
Ela: Nada! Vou ficar em casa a descansar.
O país, a cidade, o meu bairro, a minha casa
Estou num país de contrastes, sem dúvida alguma. Há muita diferença entre pobres e ricos, e a classe média se existe passa despercebida. Como estou a trabalhar na escola mais conceituada de Alexandria convivo diariamente com a classe socioeconómica alta, e é vê-las com os seus iphones para cá e para lá e as suas malas louis vuitton e mais não sei o quê, que não estou bem a par. E claro, toda a gente tem carro, toda! E não é um mero carrinho, vá!
Eu, pelos vistos, estou a morar num dos melhores bairros de Alexandria. E se assim é, nem quero imaginar como será viver na zona pobre. No meu bairro os prédios ameaçam ruir a qualquer momento (nem todos vá, só tipo o meu) e há imenso lixo nas ruas.
A casa onde estou é velha e tem buracos em todo o lado. Hoje passei a manhã nas limpezas e já não sei o que fazer a tanta formiga! Estou mesmo a tentar lidar com isto da melhor forma, mas que faz impressão faz. De qualquer forma, temos uma máquina de lavar roupa, um fogão e um frigorífico que funcionam. Também temos uma televisão, mas não faço a mínima ideia se funciona, não experimentei ligar. A casa tem dois quartos, uma casa-de-banho (com banheira, lavatório e sanita), a cozinha, e uma sala. A sala tem um sofá grande ao qual removemos as almofadas todas e colocámos na varanda porque encontrámos cocó de rato. Mas até ver não habita nenhum rato nesta casa. O sofá permanece inutilizável, e não faço questão que a situação se altere.
A casa onde estou é velha e tem buracos em todo o lado. Hoje passei a manhã nas limpezas e já não sei o que fazer a tanta formiga! Estou mesmo a tentar lidar com isto da melhor forma, mas que faz impressão faz. De qualquer forma, temos uma máquina de lavar roupa, um fogão e um frigorífico que funcionam. Também temos uma televisão, mas não faço a mínima ideia se funciona, não experimentei ligar. A casa tem dois quartos, uma casa-de-banho (com banheira, lavatório e sanita), a cozinha, e uma sala. A sala tem um sofá grande ao qual removemos as almofadas todas e colocámos na varanda porque encontrámos cocó de rato. Mas até ver não habita nenhum rato nesta casa. O sofá permanece inutilizável, e não faço questão que a situação se altere.
Concerto
Ontem foi o último dia de semana e portanto bora mas é sair que é fim-de-semana! Disseram-me que íamos a uma festa e que tínhamos de nos vestir de branco.
Lá consegui a proeza de me vestir de branco, mais ou menos, e fui toda catita para a festa. Mas afinal não era uma festa, era um concerto…de heavy metal!! E era ver um bando de gente vestida de branco a “abanar” a cabeça para trás e para a frente.
Os Lenços
É curioso ver as mulheres egípcias de lenço na cabeça. E desperta-me o interesse pela religião, pelo modo de vida destas mulheres, tão diferente do meu. O contacto diário com os locais e principalmente com as mulheres que trabalham na escola (quase não há homens professores) fez-me perceber que estas mulheres apesar de viverem num ambiente diferente têm uma vida similar à minha ou a tantas outras. Aliás isto do viverem num ambiente diferente é relativo. Não sei bem o que esperava encontrar quando vim para cá mas tinha uma certa ideia, estereótipos talvez, que se têm desmistificado desde que cheguei. Vamos a factos:
Sim, grande parte das mulheres usa o lenço na cabeça, mas muitas não usam. E todas se vestem com as roupas que estamos habituadas a comprar, os mesmos tecidos, as mesmas colecções (é tudo igual aqui) apenas são mais discretas. Mesmo as mulheres que não usam lenço e não se identificam com a religião têm o cuidado de não mostrar os ombros e não usar decotes pronunciados. Claro que também se vê algumas mulheres a usarem os típicos vestidos longos ou túnicas, e a não saírem desse registo.
Também vejo mulheres completamente cobertas, vestidas de preto dos pés à cabeça. Só é possível ver os olhos (algumas nem isso, não faço ideia de como vêem) e até usam luvas. Em conversa com uma local descobri que estas mulheres, que optam por se cobrir todas, são extremistas. Em nenhuma passagem do Corão diz que as mulheres são obrigadas a andar totalmente tapadas, apenas diz que devem cobrir o cabelo e o corpo.
Uma vez tomada a decisão de usar o lenço a mulher não mais o pode tirar. Pode acontecer, mas não é bem-vista pela comunidade. As mulheres que optam por não usar o lenço não são de alguma forma recriminadas.
Colocar o lenço na cabeça também tem a sua ciência, ainda não percebi como o fazem mas já reparei que o prendem com alfinetes, de outra forma ele não se manteria sempre no lugar. As mulheres têm sempre o cuidado de conjugar os lenços com as cores das roupas que usam. Tudo combina na perfeição!
Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010
Continuo sem conseguir andar sozinha, para onde vão os meus colegas de casa eu vou atrás. Ainda não me aventurei a andar sozinha porque parece realmente difícil, mas também não queria estar tão dependente o tempo todo. A vantagem é que todos os dias fazemos coisas diferentes e encontramo-nos com os restantes estagiários e é mais divertido e seguro passear ou viajar com um grupo, do que se tivesse que o fazer sozinha.
Depois da escola duas raparigas egípcias que também trabalham na escola levaram-nos até Montaza. É uma parte da cidade privilegiada, um local cheio de árvores, jardins e praia. Todo o verde da cidade se concentra neste sítio. Tem um palácio Real e todo o espaço à volta costumava ser os jardins particulares do rei. Agora está aberto aos visitantes e é muito bonito, não se houve um único ruído vindo da cidade. Apesar do vento e cinzento das fotos, estava muito calor.
Curiosidades
A cidade é muito poluída, há sempre muito pó no ar.
Andar de táxi, por vezes, pode ser uma experiência e tanto. Ou é música tradicional muito alta e a sensação que estamos num filme ou é o taxista a perguntar se sou casada. Aqui as primeiras perguntas que se fazem a alguém é se é casada e qual a religião.
Os rapazes aqui andam de braço de dado, ou dão as mãos e caminham abraçados. Quando vejo casais a passear na rua não há contacto, caminham lado a lado.
Reza-se 5 vezes por dia e durante a oração ouve-se uma “cantilena” por toda a cidade. Se numa loja ou bar estiver a tocar música, ela é interrompida durante o período de orar.
Qualquer edifício público tem uma sala para que as pessoas possam ir lá rezar. No shopping pode ver-se setas a indicar as casas de banho e a sala de rezar, por exemplo.
Alguns homens têm uma espécie de mancha negra na testa, pelo facto de rezarem há muitos anos, levando a cabeça ao chão.
Há muitas pessoas loiras com olhos azuis. São egípcias.
A Chegada
O voo até ao Cairo correu bem, o aeroporto era agradável e o tempo de espera pelo voo até Alexandria passou rápido. A chegada ao aeroporto de Alexandria foi um pouco assustadora, mas até que me mantive firme (com isto quero dizer que não entrei em pânico, nem desatei a chorar). O aeroporto é pequeno, confuso, com um aspecto velho e sujo e toda a gente falava árabe. Eu não percebia nada (óbvio), mas depois lá consegui descobrir onde é que era suposto levantar a minha mala. Um rapaz veio ter comigo para me carregar as malas. Eu a querer recusar e ele a insistir (tinha acabado de ler no guia que aqui eles cobram por todos os serviços, tipo gorgeta, e eu ainda não tinha trocado dinheiro). Dei-lhe uma moeda de 2 euros e ele não ficou nada contente.
Entretanto olhava para todo o lado à procura de alguém que tivesse um papel com o meu nome ou algo do género. Começava a ficar preocupada quando mesmo à saída um rapaz chamou pelo nome. Que alívio! Vinha com mais 4 amigos, todos membros da AIESEC. Vieram buscar-me de carro e são todos muito simpáticos e prestáveis. Podemos contactá-los a qualquer altura e levam-nos onde for preciso (nós os estagiários).
É tudo tão diferente aqui, e está muito calor, mas uso camisas de manga comprida e é suportável. Pode usar-se t-shirts na escola, mas nada de ombros à mostra. O trânsito é caótico e eu tento não morrer de cada vez que tenho de atravessar a estrada (a sério, é assustador!) há muita poluição (sonora incluída), mas já me disseram que não é nada comparado com o Cairo.
Também há muito lixo nas ruas e muitas habitações em construção, pelo que as ruas estão cheias de entulho.
Os membros da AIESEC levaram-me directamente para a casa onde estou a morar. Tinha um bilhete à minha espera dos estagiários com quem divido a casa (eles estavam a dormir quando cheguei). São espanhóis, um rapaz e uma rapariga, e são muito simpáticos e prestáveis. Até me lavaram lençóis para poder dormir na noite em que cheguei.
A casa não é uma maravilha, mas tendo em conta todas as variáveis não está má. Acho que me habituo.
Tenho-me surpreendido a mim mesma, porque a casa está infestada de formigas e não me armei em nojentinha como é hábito. Nem um arrepio senti quando vi algumas formigas a passear na minha roupa. Tento pensar que as formigas não fazem mal a ninguém e sacudo sempre a roupa antes de a vestir.
A primeira noite foi um pouco difícil, estava muito cansada mas não conseguia adormecer, mas ontem fechei os olhinhos e só acordei com o raiar do sol.
A casa não é uma maravilha, mas tendo em conta todas as variáveis não está má. Acho que me habituo.
Tenho-me surpreendido a mim mesma, porque a casa está infestada de formigas e não me armei em nojentinha como é hábito. Nem um arrepio senti quando vi algumas formigas a passear na minha roupa. Tento pensar que as formigas não fazem mal a ninguém e sacudo sempre a roupa antes de a vestir.
A primeira noite foi um pouco difícil, estava muito cansada mas não conseguia adormecer, mas ontem fechei os olhinhos e só acordei com o raiar do sol.
Os meus colegas de casa têm estado sempre comigo (também trabalham na escola), e parece-me quase impossível que me consiga movimentar por aqui sem a ajuda deles.
No Domingo comecei logo a trabalhar (aqui o fim-de-semana é sexta e sábado, mas pelos vistos à quinta-feira à noite é uma festa!). O horário de trabalho é das 8:30 (mas apanho um bus grátis para a escola às 7h) às 13:30h. Até agora tenho gostado, mas o ensino aqui é um pouco diferente e acho que os miúdos não brincam o suficiente, têm 3 anos e fazem o que os miúdos de 5/6 fazem aí na escola. Ficam sentadinhos nas mesas o tempo todo (quase), como na escola primária, por exemplo. A escola tem muito boas condições (quadros interactivos, computadores novos).
Ontem os membros da AIESEC levaram todos os estagiários até um bar para nos conhecermos melhor, o grupo é muito animado e são todos muitos simpáticos e a noite foi muito divertida! Então, conheci um canadiano, os espanhóis que moram comigo, uma romena, uma colombiana, uma ucraniana, uma americana e os egípcios da AIESEC.
Hoje um membro da AIESEC levou-me a fazer um reconhecimento. Andou a passear comigo pelas ruas principais, supermercado perto de casa e outras coisas. Também me ensinou como funciona o comboio (o transporte público que serve a cidade para além dos taxis) mas eu acho que ainda não consigo andar naquilo sozinha.
Até agora o que me tem marcado mais são mesmo as pessoas, fico sempre fascinada com as capacidades e conhecimentos que outras pessoas têm, é esta troca de experiências que vale realmente a pena.
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