domingo, 20 de fevereiro de 2011

Os últimos dias...


Pelo título já se antevê o fim do post, e por conseguinte o fim do blog. Mais do que o fim do blog, o fim da minha aventura. Os últimos dias passados em Alexandria foram realmente intensos, pautados de mais ou menos sentido de humor, de mais ou menos paciência para lidar com o aborrecimento de estar 24 horas sobre 24 horas em casa. Preocupação, incerteza, receio preencheram os nossos pensamentos e nem mesmo os jogos de tabuleiro, as sessões de cinema caseiras e as refeições partilhadas nos tornaram alheios ao tumulto que se percebia das ruas.


Quando estava prestes a iniciar as férias que me levariam a descer o Nilo de feluca e a visitar o legado dos grandes faraós instalou-se o boato de que ocorreria uma manifestação que atrairia muita gente para as ruas. Começava a notar-se um nervosinho no ar. Na altura ainda não tinha noção, mas tinha começado a luta pela liberdade. A luta de um povo já demasiado cansado e conformado, em que os críticos e entendidos da política não acreditavam como sendo capaz de fazer frente a um governo demasiado poderoso e resiliente, mas que encontrou inspiração para tal.

A partir daqui não houve muito tempo para reagir. Quando demos conta já não se podia sair de casa. As ruas estavam instáveis, onde pessoas de sangue quente, esperançosas, ávidas por justiça, liberdade, por um outro modo de vida gritavam palavras de ordem e faziam valer o seu ponto de vista.
Das poucas vezes que saí, foi sempre pela manhã, antes do recolher obrigatório, e apenas para comprar comida. Numa das últimas vezes que o fiz, e pelo menos no meu bairro, já não havia água nem arroz ou massa. Para comprar pão a fila era enorme e valeu-me a prioridade que é dada às mulheres. No entanto, foi-me sempre possível comprar legumes, fruta, ovos e em casa bebia-se chá, muito chá.

Pelos  filmes gravados e pelas fotografias tiradas a partir das janelas das nossas casas, e partilhadas entre os estagiários, conhecemos uma cidade diferente. Uma cidade pesada, com militares em cada esquina, armados dos pés à cabeça, a pé ou em tanques. Uma cidade sem trânsito (inédito), com bairros barricados com pedras e móveis quase desfeitos, e com lixo, muito lixo.

Mas era de noite que a situação se tornava mais intensa. De noite, homens e os seus filhos meninos saiam para a rua, de paus, facas, pedras, em punho, para protegerem os seus bens, as suas casas, os seus familiares. Porque há sempre várias versões de uma mesma história a acontecer ao mesmo tempo. A revolta estava nas ruas, e temia-se pelas pilhagens. O medo, o pânico, a ansiedade tomava conta de uns num sentido e de outros para um outro sentido.

Em casa tentávamos manter a calma, falar de outras coisas ou discutir o que se passava. Mas nem sempre foi possível manter a calma ou evitar a curiosidade e volta e meia pendurávamo-nos todos à janela para 5 minutos depois sentirmos arrepios e fecharmos tudo de maneira a que não fosse possível abrir outra vez. E voltávamos a abrir, e voltávamos a fechar. Uma noite ouvimos berros, vindos de uma janela vizinha e centenas de homens levantaram os paus e correram, irados. Nessa noite chorámos. Expusemo-nos uns aos outros, declarámos o nosso medo e receio, a nossa incerteza. O que fazer?

Entretanto, estava já em contacto com a embaixada portuguesa. Todos os dias me ligavam para saber como estava e me actualizarem da situação. Apesar destas ligações as comunicações nem sempre foram fáceis. Havia restringimentos nas chamadas e não era possível enviar mensagens. No dia da grande primeira manifestação os telefones e a ligação à internet foram cortados e na televisão não passaram noticiários. Os telefones foram reestabelecidos no dia seguinte, embora com limitações e a internet permaneceu cortada durante mais 5 dias, se bem me recordo. Sem comunicações, sem poder saber o que estava a acontecer, sem poder falar para casa, experienciei pela primeira vez um novo sentimento, que nem sei bem descrever. É de pequenez, de impotência, de inexistência tudo misturado com uma pitada de “o que é que andas a fazer aqui? Que tens contribuído para a sociedade? Não és ninguém, e podem calar-te com uma facilidade aterradora.”
Pode e vai parecer cliché, mas é isso mesmo: dá-se valor ao que se tem, e entende-se a voz dos nossos antepassados e que nos permitiram que hoje nós tenhamos a nossa própria voz, sem lápis azul a riscar-nos o caminho.

E assim, com a situação a agravar-se de dia para dia e sem perspectivas de acalmar recebi a chamada que não queria, mas que antevia. Era hora de ir embora.

Demorei a escrever este post porque demorei a acreditar que tinha chegado o fim. Também não quero parecer demasiado dramática e claro que quando há um fim, há também um novo começo, novos objectivos, novas oportunidades, é o que se espera. Mas houve um fim, e eu tive que chorar por esse fim. Estou a chorar por esse fim, porque não era esperado e porque tenho até saudades daquilo que não vivi. Do que vivi, tenho cheiros, sons, imagens, memórias que me percorrem a pele e que me fazem quase sentir tudo como se fosse pela primeira vez, quase como se estivesse lá…quase. Só mesmo quase.









sábado, 22 de janeiro de 2011

Janeiro quente traz o Diabo no ventre


Eu e a Rafaela achamos que no Egipto não é suposto estar frio. Por isso, fartas de reinventar formas de vestir sempre as mesmas camisolas e de parecer que temos mais roupa de inverno do que na verdade temos, decidimos pegar na nossa mochila e ir para a praia! Foi uma pequena aventura de 36 horas. Nadámos no mar vermelho, tivemos direito a alguma adrenalina, fumámos shisha e, principalmente divertimo-nos muito.
O que me pergunto agora é se é suposto a 21 de Janeiro poder usar biquíni e saltar para água num dia de muito sol…pois, segundo as leis do karma parece que não.
 Até me custa dizer isto, mas tinha acabado de chegar a casa, vinda da praia, quando encontrei um rato a comer toda a nossa comida. Um rato na minha casa nova!
Karma?! Mas foi só um mergulho…




sábado, 15 de janeiro de 2011

É Uma Casa Portuguesa (quase com certeza)!

Ora bem, vamos lá a actualizações. Na última semana discutimos todas as possibilidades e mais algumas para conseguirmos arranjar a nossa casa-de-banho e baixar a renda da casa para os próximos 3 meses. Sem efeito. De cada vez que se toma banho a casa-de-banho fica alagada. E não é exagero, a água chega aos tornozelos e é preciso mais de uma hora e 4 baldes para nos vermos livres da água. Só me pergunto porque é que essa quantidade de água não sai na altura devida, pelo buraquinho do chuveiro e não pelo do chão…

Contas feitas, tomou-se a decisão de mudar de casa. Em 4 dias, visitámos 9 casas. Umas não tão más, umas com um cheiro insuportável, uma mistura de chichi de gato com velho. Umas tão sujas e velhas que só de entrar se ficava com a sensação de se estar a invadir território de ratazanas mais do que acomodadas. Outras casas até estavam em boas condições, com mobília decente e útil mas muito caras para a nossa carteira. Num golpe de sorte visitámos a casa de duas raparigas que vivem no Egipto há dois anos e que têm um quarto para alugar. Ao entrarmos na casa ficamos com a sensação que não estamos mais no Egipto. A casa, muito semelhante aos padrões europeus, deixou-me de queixo caído, mas não mais que a renda. A mais barata que nos tinham pedido até agora.

A decisão de mudar para esta casa parecia assim muito fácil, mas não foi. Mudar implicava que apenas duas de nós podiam ficar no quarto, e nós somos três. Assim após muitos dilemas e alguma tristeza acabámos por decidir que o melhor e mais prático seria que eu e a Rafaela nos mudávamos para este quarto e a nossa colega de casa mudaria para a casa de outras estagiárias. E foi o que aconteceu. Fizemos as malas e no dia 12 estávamos já a dormir na casa nova. 

Vivemos agora com uma colombiana e uma indonésia. A casa tem três quartos, sendo que eu divido um deles com a Rafaela, é o quarto mais pequeno da casa. Não é que o nosso quarto seja minúsculo, os outros é que são enormes. Para além disso, temos a cozinha (extremamente bem equipada), sala de jantar, sala de estar e a casa-de-banho. Tudo impecavelmente limpo.

Mas isto ainda só vai a meio. Agora vem a parte que a minha querida mãezinha leva as mãos à cintura e diz “Ai rica vida! E eu aqui que me esfalfo a trabalhar no duro todos os dias”. Então é assim, à parte da casa ser um espanto, temos televisão com 4 canais internacionais, que é o mesmo que dizer que no outro dia almoçamos a ver um episódio de Friends (com legendas em árabe para não nos esquecermos que estamos no Egipto). Temos wireless, o que significa que toda a gente pode usar a internet ao mesmo tempo!  E, o grande final: uma senhora vem cá limpar a casa uma vez por mês. Eu fiquei meia parva quando soube, mas agora pensando bem sempre é uma ajuda para manter a casa em tão boas condições.



E pronto, é assim a minha nova casa, é tanta qualidade de vida que até já nem tem piada. Acabaram-se os posts com as minhas lamúrias e desventuras dentro de 4 paredes!


PS – Ainda tive direito a um guarda-fatos grande e vazio, sem portas trancadas com artigos e cheiros duvidosos, como dantes.























segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Árabe - o começo

Hoje foi o primeiro passo para alcançar algumas das minhas resoluções de Ano Novo. A de começar a estudar árabe, de verdade. Com uma professora, a horas marcadas! Bem sei que não vou sair daqui uma expert e que provavelmente até o básico será difícil de adquirir, mas por algum lado se começa!

A professora é muito simpática e casada com um português. À chegada foi-me pedido que tirasse os sapatos antes de entrar. Pisei uma carpete imaculada e escutei com atenção a professora enquanto esta carregava ao colo a sua bebé, que dormia profundamente. Olhando a menos de meio metro do chão a sua outra filha desenhava no quadro e respondia por mim, quando eu não me lembrava do que me tinha sido dito segundos atrás. Adorei a aula.

Primeira lição: o alfabeto


Feira do Livro

Em Portugal volta e meia promovem-se feiras do livro que fazem as delícias dos mais tipos de leitores e compradores. Ele é livro velho, gasto ou usado, novo, por estrear... A um preço bem simpático, de preferência.

Em Alexandria também há feira do livro, é todos os dias do ano. É quando um homem quiser. É só ir e comprar. Os livros estão empilhados numa rua, há para todos os gostos e o melhor é o preço! E ainda dá para regatear. É só ter boa disposição. É só querer, é árabe, é francês, é inglês. É só comprar. É só ler!




Olé

Fui comer uma sopa! Sim, porque aqui não é coisa fácil de se comer! E que bem que me soube. Foi no bairro onde moro, no café Olé!


E a sopa era de lentilhas e era bem boa, olé se era!



Linhas e Carris

Não é só andar de táxi que é uma aventura, uma experiência sempre única nesta cidade. Também as viagens de tram têm os seus momentos!

O tram é uma espécie de eléctrico, no tamanho XXL que percorre a cidade de uma ponta à outra, numa só linha. É também o meio de transporte mais lento em que já andei. Eu apontaria para uns 20 Km/h já a abusar um pouco.

No outro dia íamos muito "descansadinhas" no tram na amena cavaqueira quando um rapazinho/vendedor larga uma parafernália de acessórios daqueles que se podem encontrar em qualquer loja de chinês (sem qualquer espécie de despeito). Ele era ganchos, travessas, fitas de cabelo, linhas de cozer. Tudo produto da mais fina qualidade para que pudesse ser analisado ao olho de quem sabe da coisa. Mais tarde o vendedor regressa na esperança de fazer negócio. Sem muita sorte, recolheu tudo de novo.

Ontem o meu casaco de malha preto, que me dá muito jeito, descoseu-se, já estou arrependida de não ter comprado o conjuntinho de corte e costura.






Alexandria 24 horas por dia

Qualquer loja em Alexandria fica aberta até tarde. Em qualquer farmácia se pode encontrar um pouco de tudo, à excepção de comida. Comida vende-se em qualquer loja da esquina. Se estivermos em casa e nos faltar alguma coisa basta descer e comprar, independentemente da hora. No geral, as pessoas são sempre muito simpáticas e adoram cumprimentar-nos nas ruas com sonoros “welcome”! Mesmo quando passamos sempre na mesma rua e já deu para perceber que há muito que chegámos e não estamos só de passagem. Sou tratada como uma princesa. O que ao início sentia como uma intromissão, olhares fixos e desconcertantes, sinto agora como apreço, simpatia, bem receber.
Não sei se são os mesmos olhos que me olham ou se aos meus olhos as coisas mudaram e, parecem-me agora diferentes, mais bonitas. Ao início Alexandria era para mim castanha, agora tem mais cores, azul, verde, amarelo e laranja. Cores quentes e frias, contrastes que me fazem aos poucos e poucos sentir Alexandria. Estou a aprender a viver em Alexandria, estou a aprender a gostar desta cidade. E o que há para não gostar? Muita coisa, poderia dizer. Mas não digo. Não é isso que agora importa, o que sinto é que estou a apaixonar-me por esta cidade. Alexandria é por agora a minha casa e por isso é também minha, faz parte de mim… 

domingo, 2 de janeiro de 2011

Peixe é fixe!

Estes senhores muito simpáticos deliciavam-se com um belo peixe em plena rua, numa mesa improvisada com caixotes e papel de jornal. Uma refeição feita de sorrisos e olhares curiosos. 

Pedi para tirar fotografia. Pediram-me para comer. “Sirva-se à vontade” em linguagem universal, a da partilha.



Teatro

Faz 15 dias as assistentes da escola, eu incluída, fizeram as delícias das crianças ao representarem a peça "Cinderela".

Eu que inicialmente era pare ser um rato virei Fada Madrinha! E com a minha varinha mágica matei saudades do teatro e ainda fomentei sorrisos!

: ) Um dia que superou as minhas expectativas!

Uma Chapada na Cara

Muitos dos taxistas de Alexandria são pessoas humildes, do povo, sem instrução, com pouco dinheiro. Por dia fazem quilómetros de estrada para conseguirem arrecadar uns trocos e alimentarem as suas famílias. Alguns simpáticos, outros nem por isso.
Mas de quando em vez surge um taxista singular, uma história de vida que nos faz acordar para a realidade, um homem culto, educado, que fala 3 ou 4 línguas incluindo o alemão, que reconhece os problemas do seu país e que sonha com outro emprego, talvez longe daqui. Isso pode ser bom ou mau, é como quiserem interpretar. Mas é um sonho, é o sonho de uma pessoa que trabalha num local que não é o seu, que vai vendo estrada e estrada e pensando onde mais poderia empregar o seu potencial...Estas histórias de vida, estas conversas de 10 minutos são como um sopro, uma aragem no deserto, que nos atinge em cheio e nos faz querer correr atrás. Como diria uma amiga são como uma chapada na cara, literalmente.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010

Não é muito meu hábito fazer resoluções de ano novo, relembrar o que foi feito e o que ficou por fazer. A introspecção vai-se fazendo ao longo do ano, em vários momentos. Mas este ano, por estar talvez afastada daquilo a que sempre estive habituada, ao que conheço, dos amigos, da família, cedo aos clichés. E, portanto um muito importante é uma retrospectiva de final de ano.

2010 foi um ano de muitas conquistas. Acima de tudo foi um ano cheio de trabalho, mas também cheio de partilha, de aprendizagens, e de grandes amizades.

2010 foi o ano em que me inscrevi para fazer um estágio internacional e foi o ano em que vim parar ao Egipto.

2010 é só mais um ano, é Passado. É também o meu "Presente" (um dos melhores que já recebi) e é o início de muitas mais aventuras e conquistas, o Futuro.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Trânsito

Já aqui tinha feito alguns apontamentos acerca do trânsito de Alexandria. Foram as minhas primeiras impressões. Agora, passados 2 meses as impressões continuam as mesmas com a atenuante ou agravante de que para mim é já natural atravessar a estrada. Os carros continuam a buzinar constantemente, sejam 11 da manhã ou 11 da noite. O frenesim entranhou-se em mim, e já não sei o que é o silêncio. Habituei-me ao som constante, às ruas nunca desertas. Seja noite ou dia.

sábado, 25 de dezembro de 2010

O Natal

Então é assim, o meu Natal começou numa casa, toda decorada, com direito a Árvore de Natal, e presentes! Cozinhei um arroz de galinha com caril que fez com que todos lambessem o prato (nada de modéstias, que isto no que toca à comidinha há que saber apreciar!). Para sobremesa também havia arroz doce e muitos doces do Brasil, Egipto, bolachas de Natal americanas e para beber um eggnog canadiano. Mas como estamos no Egipto e como por mais que uma pessoa planei o quer que seja já sabe que tem que contar com o mais inesperado. E claro numa ceia de Natal, um momento tão especial no ano, não poderia faltar uma boa dose de imprevisibilidade egipciana.

Portanto, pessoal todo animado, ainda só íamos no primeiro prato… Ai e tal, ala que se faz tarde temos de mudar esta comida toda de sítio. Vamos para outra casa porque aqui os vizinhos queixam-se que rapazes e raparigas a comemorar o Natal todos juntos como uma grande família, isso é que não! Ora isto parece muito simples, só uma mudançazinha, coisa pouca. Mas não foi, a quantidade de comida que tínhamos era algo que não lembra a muitos, tanto que não lembra que eu e a Rafaela fomos quem mais levou. À bela maneira portuguesa. Para além de termos cozinhado ainda nos foi entregue comida ao domicílio. Vinha da parte das professoras da escola. Agora é quando nos auto vangloriamos! Até um gigante bolo de chocolate nos deram! Bolo este que me custou muito a carregar durante uma hora enfiada num carro, a caminho da casa seguinte, 5 supostos minutos de viagem que se prolongaram devido a mais outros e tantos percalços.
Chegados finalmente à casa seguinte já a festa ia longa e a comida desaparecera, por isso tratei de atacar o bolo!

Com isto tudo ainda consegui arrecadar 5 belos presentes. Ora bem: a última novidade do Shrek 3D estreada em DVD pirata, uma caneca egípcia, o melhor chocolate made in Egypt, um anel (lindo!) e o melhor e mais útil de todos, um Super Gigante martelo insuflável. Ai meu rico São João espera por mim!











sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Mensagem Especial

Porque o Natal é das crianças fica aqui um grande beijo para o meu sobrinho e para a minha afilhada.

E ainda um beijinho muito especial e votos de um Feliz Natal para a Ema Bianca e para a Adriana! Obrigada pelas mensagens de carinho!

Espero que tenham muitos sonhos de criança concretizados no sapatinho :)







Cânticos de Natal

Há apenas algumas horas atrás fui a uma Igreja Católica chamada Sacre Cœur ouvir Cânticos de Natal. A Igreja era linda, o coro era constituído por homens, mulheres, adultos, jovens e crianças, dos 4 aos 40, as músicas lindíssimas, todos cantavam e batiam palmas, todos partilhavam. Senti-me muito bem, mais perto de casa.


Senti Fé! Fé nas pessoas, esperança…







FELIZ NATAL

Esteve frio em Alexandria, frio a sério, durou talvez 15 dias. Não está tempo para usar t-shirt, mas já não está frio, está sol. Não parece Natal. Não parecia há um mês atrás, não parecia na semana passada, não parecia ontem. Hoje continua a não parecer. Amanhã é véspera de Natal, não parece.

O Natal nunca foi a minha época predilecta, mas este ano assumiu uma maior importância. E, não o consigo sentir. Estou longe da família, dos amigos, e isso diz tudo. Amanhã vai haver ceia de Natal e troca de presentes entre todos os estagiários e faremos com que a distância não se sinta, espero.

Mas, continuo feliz aqui e a aproveitar o mais que posso e só quero portanto agradecer a todos o apoio e o carinho,

Um FELIZ NATAL para todos os que mais amo...

PS - Com neve e frio, e lareira acesa, e risos e choro de criança, que é como o Natal deve parecer!
PS 2 - Ahh, e com cheiro a filhós!




sábado, 18 de dezembro de 2010

Adiamento

'Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
(...)
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã... '

(Álvaro de Campos)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Lista de Natal

Ora bem, este Natal decidi escrever uma lista de presentes que gostava de receber:

- Um aquecedor, um para cada divisão da casa de preferência.

- Um chuveiro todo equipado, com pressão se faz favor para poder tomar um banho a sério, daqueles que não é preciso passar uma hora na casa de banho a tentar fazer render 3 fios de água.

-Um outro animal de estimação que não seja formigas. Ou pensando bem é melhor não, não me vá sair um ratinho outra vez...