sábado, 22 de janeiro de 2011

Janeiro quente traz o Diabo no ventre


Eu e a Rafaela achamos que no Egipto não é suposto estar frio. Por isso, fartas de reinventar formas de vestir sempre as mesmas camisolas e de parecer que temos mais roupa de inverno do que na verdade temos, decidimos pegar na nossa mochila e ir para a praia! Foi uma pequena aventura de 36 horas. Nadámos no mar vermelho, tivemos direito a alguma adrenalina, fumámos shisha e, principalmente divertimo-nos muito.
O que me pergunto agora é se é suposto a 21 de Janeiro poder usar biquíni e saltar para água num dia de muito sol…pois, segundo as leis do karma parece que não.
 Até me custa dizer isto, mas tinha acabado de chegar a casa, vinda da praia, quando encontrei um rato a comer toda a nossa comida. Um rato na minha casa nova!
Karma?! Mas foi só um mergulho…




sábado, 15 de janeiro de 2011

É Uma Casa Portuguesa (quase com certeza)!

Ora bem, vamos lá a actualizações. Na última semana discutimos todas as possibilidades e mais algumas para conseguirmos arranjar a nossa casa-de-banho e baixar a renda da casa para os próximos 3 meses. Sem efeito. De cada vez que se toma banho a casa-de-banho fica alagada. E não é exagero, a água chega aos tornozelos e é preciso mais de uma hora e 4 baldes para nos vermos livres da água. Só me pergunto porque é que essa quantidade de água não sai na altura devida, pelo buraquinho do chuveiro e não pelo do chão…

Contas feitas, tomou-se a decisão de mudar de casa. Em 4 dias, visitámos 9 casas. Umas não tão más, umas com um cheiro insuportável, uma mistura de chichi de gato com velho. Umas tão sujas e velhas que só de entrar se ficava com a sensação de se estar a invadir território de ratazanas mais do que acomodadas. Outras casas até estavam em boas condições, com mobília decente e útil mas muito caras para a nossa carteira. Num golpe de sorte visitámos a casa de duas raparigas que vivem no Egipto há dois anos e que têm um quarto para alugar. Ao entrarmos na casa ficamos com a sensação que não estamos mais no Egipto. A casa, muito semelhante aos padrões europeus, deixou-me de queixo caído, mas não mais que a renda. A mais barata que nos tinham pedido até agora.

A decisão de mudar para esta casa parecia assim muito fácil, mas não foi. Mudar implicava que apenas duas de nós podiam ficar no quarto, e nós somos três. Assim após muitos dilemas e alguma tristeza acabámos por decidir que o melhor e mais prático seria que eu e a Rafaela nos mudávamos para este quarto e a nossa colega de casa mudaria para a casa de outras estagiárias. E foi o que aconteceu. Fizemos as malas e no dia 12 estávamos já a dormir na casa nova. 

Vivemos agora com uma colombiana e uma indonésia. A casa tem três quartos, sendo que eu divido um deles com a Rafaela, é o quarto mais pequeno da casa. Não é que o nosso quarto seja minúsculo, os outros é que são enormes. Para além disso, temos a cozinha (extremamente bem equipada), sala de jantar, sala de estar e a casa-de-banho. Tudo impecavelmente limpo.

Mas isto ainda só vai a meio. Agora vem a parte que a minha querida mãezinha leva as mãos à cintura e diz “Ai rica vida! E eu aqui que me esfalfo a trabalhar no duro todos os dias”. Então é assim, à parte da casa ser um espanto, temos televisão com 4 canais internacionais, que é o mesmo que dizer que no outro dia almoçamos a ver um episódio de Friends (com legendas em árabe para não nos esquecermos que estamos no Egipto). Temos wireless, o que significa que toda a gente pode usar a internet ao mesmo tempo!  E, o grande final: uma senhora vem cá limpar a casa uma vez por mês. Eu fiquei meia parva quando soube, mas agora pensando bem sempre é uma ajuda para manter a casa em tão boas condições.



E pronto, é assim a minha nova casa, é tanta qualidade de vida que até já nem tem piada. Acabaram-se os posts com as minhas lamúrias e desventuras dentro de 4 paredes!


PS – Ainda tive direito a um guarda-fatos grande e vazio, sem portas trancadas com artigos e cheiros duvidosos, como dantes.























segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Árabe - o começo

Hoje foi o primeiro passo para alcançar algumas das minhas resoluções de Ano Novo. A de começar a estudar árabe, de verdade. Com uma professora, a horas marcadas! Bem sei que não vou sair daqui uma expert e que provavelmente até o básico será difícil de adquirir, mas por algum lado se começa!

A professora é muito simpática e casada com um português. À chegada foi-me pedido que tirasse os sapatos antes de entrar. Pisei uma carpete imaculada e escutei com atenção a professora enquanto esta carregava ao colo a sua bebé, que dormia profundamente. Olhando a menos de meio metro do chão a sua outra filha desenhava no quadro e respondia por mim, quando eu não me lembrava do que me tinha sido dito segundos atrás. Adorei a aula.

Primeira lição: o alfabeto


Feira do Livro

Em Portugal volta e meia promovem-se feiras do livro que fazem as delícias dos mais tipos de leitores e compradores. Ele é livro velho, gasto ou usado, novo, por estrear... A um preço bem simpático, de preferência.

Em Alexandria também há feira do livro, é todos os dias do ano. É quando um homem quiser. É só ir e comprar. Os livros estão empilhados numa rua, há para todos os gostos e o melhor é o preço! E ainda dá para regatear. É só ter boa disposição. É só querer, é árabe, é francês, é inglês. É só comprar. É só ler!




Olé

Fui comer uma sopa! Sim, porque aqui não é coisa fácil de se comer! E que bem que me soube. Foi no bairro onde moro, no café Olé!


E a sopa era de lentilhas e era bem boa, olé se era!



Linhas e Carris

Não é só andar de táxi que é uma aventura, uma experiência sempre única nesta cidade. Também as viagens de tram têm os seus momentos!

O tram é uma espécie de eléctrico, no tamanho XXL que percorre a cidade de uma ponta à outra, numa só linha. É também o meio de transporte mais lento em que já andei. Eu apontaria para uns 20 Km/h já a abusar um pouco.

No outro dia íamos muito "descansadinhas" no tram na amena cavaqueira quando um rapazinho/vendedor larga uma parafernália de acessórios daqueles que se podem encontrar em qualquer loja de chinês (sem qualquer espécie de despeito). Ele era ganchos, travessas, fitas de cabelo, linhas de cozer. Tudo produto da mais fina qualidade para que pudesse ser analisado ao olho de quem sabe da coisa. Mais tarde o vendedor regressa na esperança de fazer negócio. Sem muita sorte, recolheu tudo de novo.

Ontem o meu casaco de malha preto, que me dá muito jeito, descoseu-se, já estou arrependida de não ter comprado o conjuntinho de corte e costura.






Alexandria 24 horas por dia

Qualquer loja em Alexandria fica aberta até tarde. Em qualquer farmácia se pode encontrar um pouco de tudo, à excepção de comida. Comida vende-se em qualquer loja da esquina. Se estivermos em casa e nos faltar alguma coisa basta descer e comprar, independentemente da hora. No geral, as pessoas são sempre muito simpáticas e adoram cumprimentar-nos nas ruas com sonoros “welcome”! Mesmo quando passamos sempre na mesma rua e já deu para perceber que há muito que chegámos e não estamos só de passagem. Sou tratada como uma princesa. O que ao início sentia como uma intromissão, olhares fixos e desconcertantes, sinto agora como apreço, simpatia, bem receber.
Não sei se são os mesmos olhos que me olham ou se aos meus olhos as coisas mudaram e, parecem-me agora diferentes, mais bonitas. Ao início Alexandria era para mim castanha, agora tem mais cores, azul, verde, amarelo e laranja. Cores quentes e frias, contrastes que me fazem aos poucos e poucos sentir Alexandria. Estou a aprender a viver em Alexandria, estou a aprender a gostar desta cidade. E o que há para não gostar? Muita coisa, poderia dizer. Mas não digo. Não é isso que agora importa, o que sinto é que estou a apaixonar-me por esta cidade. Alexandria é por agora a minha casa e por isso é também minha, faz parte de mim… 

domingo, 2 de janeiro de 2011

Peixe é fixe!

Estes senhores muito simpáticos deliciavam-se com um belo peixe em plena rua, numa mesa improvisada com caixotes e papel de jornal. Uma refeição feita de sorrisos e olhares curiosos. 

Pedi para tirar fotografia. Pediram-me para comer. “Sirva-se à vontade” em linguagem universal, a da partilha.



Teatro

Faz 15 dias as assistentes da escola, eu incluída, fizeram as delícias das crianças ao representarem a peça "Cinderela".

Eu que inicialmente era pare ser um rato virei Fada Madrinha! E com a minha varinha mágica matei saudades do teatro e ainda fomentei sorrisos!

: ) Um dia que superou as minhas expectativas!

Uma Chapada na Cara

Muitos dos taxistas de Alexandria são pessoas humildes, do povo, sem instrução, com pouco dinheiro. Por dia fazem quilómetros de estrada para conseguirem arrecadar uns trocos e alimentarem as suas famílias. Alguns simpáticos, outros nem por isso.
Mas de quando em vez surge um taxista singular, uma história de vida que nos faz acordar para a realidade, um homem culto, educado, que fala 3 ou 4 línguas incluindo o alemão, que reconhece os problemas do seu país e que sonha com outro emprego, talvez longe daqui. Isso pode ser bom ou mau, é como quiserem interpretar. Mas é um sonho, é o sonho de uma pessoa que trabalha num local que não é o seu, que vai vendo estrada e estrada e pensando onde mais poderia empregar o seu potencial...Estas histórias de vida, estas conversas de 10 minutos são como um sopro, uma aragem no deserto, que nos atinge em cheio e nos faz querer correr atrás. Como diria uma amiga são como uma chapada na cara, literalmente.